Como funcionaria o grupo investigado na Operação Archimagus em Sumaré
Investigação aponta suposta divisão de funções entre financiador, gerente, operador financeiro e responsáveis pela logística do tráfico
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A Operação Archimagus, deflagrada nesta quarta-feira (9), investiga uma suposta organização envolvida no financiamento, armazenamento e distribuição de drogas na região de Sumaré. O presidente da Câmara Municipal, Hélio Silva, foi preso temporariamente e é apontado pela investigação como possível financiador e articulador da estrutura.
Outros investigados teriam funções distintas, como gerenciamento dos pontos de venda, controle de um sítio usado como possível entreposto, movimentação financeira e intermediação. A investigação também apura possível uso de imóveis, empresas e recursos ilícitos em atividades político-eleitorais.
As informações sobre a divisão de funções são baseadas na investigação policial e não representam condenação dos envolvidos. As responsabilidades individuais ainda deverão ser esclarecidas no decorrer do processo.
A investigação que levou à prisão temporária do presidente da Câmara Municipal de Sumaré, Hélio Silva (Cidadania), aponta para uma suposta estrutura organizada, com diferentes funções destinadas ao financiamento, armazenamento, distribuição e comercialização de drogas na região.
Segundo as informações reunidas pela Polícia Federal e divulgadas nesta quarta-feira (9), Hélio Silva seria apontado como uma das principais figuras da estrutura investigada, com atuação ligada ao financiamento e à articulação do grupo. O vereador, conhecido pelos investigadores como “Mister M”, foi preso durante a Operação Archimagus, conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Campinas.
A operação cumpriu dois mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão em Sumaré, Campinas, Vinhedo e Jacutinga (MG). Um sítio localizado em Jacutinga aparece na investigação como possível local utilizado para armazenamento de entorpecentes.
Uma estrutura dividida por funçõesDe acordo com a investigação, o grupo não funcionaria de maneira informal, mas teria uma divisão de tarefas entre os suspeitos.
Hélio Silva: apontado como financiadorNo topo da estrutura investigada estaria Hélio Silva. Segundo a apuração, o vereador seria responsável pelo financiamento da compra de drogas e pela articulação das atividades do grupo.
A investigação também aponta que ele teria mantido contatos frequentes com outros investigados e que teria sido observado recebendo sacolas que aparentavam conter dinheiro em espécie.
Os investigadores ainda apuram a suspeita de que valores de origem ilícita tenham sido utilizados em atividades político-eleitorais. Também há informações sobre o suposto transporte de dinheiro em um veículo oficial da Câmara de Sumaré.
Maikon Batista seria responsável pelos pontos de vendaLogo abaixo na estrutura descrita pela investigação aparece Maikon Batista da Costa, que também foi preso temporariamente.
Ele é apontado pelos investigadores como responsável pelo gerenciamento operacional dos pontos de venda de drogas em Sumaré.
A Polícia Federal investiga uma estrutura que envolveria desde a obtenção dos entorpecentes até a distribuição para locais onde seriam comercializados.
Outros suspeitos teriam funções específicasAlém dos dois presos, outros investigados aparecem na apuração com funções diferentes dentro da suposta estrutura.
Sivanir Alves é apontado como responsável pelo controle de acesso e pelo apoio relacionado ao sítio localizado em Jacutinga, que teria sido utilizado como entreposto para armazenamento de drogas.
Jurailton Rosa dos Santos é citado como possível elo financeiro, com suspeita de participação na entrega e recebimento de valores.
Cláudio Miguel da Costa é apontado como operador e intermediário da estrutura investigada.
A divisão descrita pela investigação seria, portanto, aproximadamente esta:
Hélio Silva → financiamento e articulação
Maikon Batista → gerenciamento dos pontos de venda
Sivanir Alves → controle e logística do sítio
Jurailton Rosa → movimentação financeira
Cláudio Miguel → operação e intermediação
É importante ressaltar que essa divisão representa a hipótese investigativa apresentada pelas autoridades e ainda deverá ser submetida ao contraditório e à análise judicial.
Sítio em Jacutinga aparece na investigaçãoUm dos pontos considerados relevantes para a investigação é um sítio localizado em Jacutinga, no Sul de Minas Gerais.
Segundo a PF, o imóvel poderia ter sido utilizado para armazenar drogas antes da distribuição para a região de Sumaré.
A investigação apura justamente a existência de uma cadeia logística envolvendo financiamento, armazenamento e posterior abastecimento dos pontos de venda de entorpecentes.
Empresas e imóveis também estão sob investigaçãoA Polícia Federal também investiga o possível uso de imóveis e pessoas jurídicas para dar suporte à estrutura criminosa.
Segundo informações divulgadas sobre a operação, alguns imóveis relacionados ao vereador teriam sido utilizados como endereços de empresas sem atividade empresarial compatível com os locais.
Os investigadores também identificaram, durante as buscas, armas de fogo em um dos imóveis ligados ao parlamentar.
Investigação também alcança atividades políticasUm dos pontos mais sensíveis da apuração é a suspeita de que recursos de origem ilícita possam ter sido utilizados para financiar atividades político-eleitorais.
Hélio Silva vinha se movimentando politicamente para disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026. Ele foi eleito vereador de Sumaré em 2016 e 2020 e reeleito em 2024, com 1.916 votos. Em janeiro de 2025, assumiu novamente a presidência da Câmara para o biênio 2025/2026.
Cidadania suspendeu funções de Hélio SilvaApós a prisão, o Cidadania informou que suspendeu imediatamente todas as funções de Hélio Silva dentro do partido e declarou que se coloca à disposição das autoridades.
A legenda afirmou ainda que respeita o direito à ampla defesa, mas que não tolera condutas fora da lei.
A Câmara Municipal de Sumaré, por sua vez, afirmou que a investigação tem caráter pessoal e que, até aquele momento, não havia informação relacionando os fatos às atividades institucionais do Legislativo.
O Legislativo também reforçou o princípio constitucional da presunção de inocência.
Quem é Hélio SilvaHélio Silva tem 55 anos, nasceu em Porteirinha (MG) e é empresário do setor de comércio varejista de materiais para construção, segundo informações divulgadas pela Câmara.
Ele exerce o terceiro mandato consecutivo como vereador de Sumaré e atualmente ocupa a presidência do Legislativo municipal.
A prisão ocorreu no contexto de uma investigação criminal. Hélio Silva não foi condenado pelos crimes investigados, e a prisão temporária não representa, por si só, reconhecimento definitivo de culpa.
O que a investigação apuraA Operação Archimagus busca esclarecer a possível existência de uma estrutura voltada para:
- financiamento da compra de drogas;
- armazenamento de entorpecentes;
- distribuição para pontos de venda;
- comercialização de drogas;
- movimentação de dinheiro;
- utilização de imóveis e empresas;
- possível utilização de recursos ilícitos em atividades político-eleitorais.
A Ficco/Campinas reúne agentes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, polícias Civil e Militar de São Paulo e Guarda Municipal de Paulínia. A operação também contou com apoio do Gaeco, do Comando de Operações Táticas e de unidades especializadas da Polícia Militar.