Hortolândia liderou a Região do Polo Têxtil em repasses de emendas parlamentares federais por habitante em 2026. Até julho, o município recebeu R$ 20,6 milhões, equivalente a R$ 82,33 por morador, segundo levantamento baseado na plataforma Solon e em estimativas populacionais do IBGE.
Nova Odessa ficou em segundo lugar, seguida por Santa Bárbara d’Oeste, Americana e Sumaré. O município de Sumaré recebeu R$ 6,4 milhões, o equivalente a R$ 21,89 por habitante. Prefeituras também apontaram diferenças de metodologia e destacaram outras formas de captação de recursos públicos.
Hortolândia liderou entre os municípios da Região do Polo Têxtil (RPT) no volume de emendas parlamentares federais recebidas por habitante em 2026. Até julho, a cidade recebeu R$ 20,6 milhões, o equivalente a R$ 82,33 por morador, segundo levantamento baseado na plataforma Solon e em estimativas populacionais recentes do IBGE.
Na comparação proporcional, o valor recebido por Hortolândia é quase quatro vezes maior que o registrado em Sumaré, que recebeu R$ 6,4 milhões no período, correspondentes a R$ 21,89 por habitante.
O levantamento considera os valores efetivamente pagos pela União até julho de 2026. O período foi adotado como corte por coincidir com o início do chamado defeso eleitoral, em 4 de julho, quando a legislação estabelece restrições a determinadas transferências voluntárias de recursos federais, com exceções previstas em lei.
Com população estimada em 250.195 habitantes, Hortolândia também apresentou o maior volume absoluto de recursos entre os cinco municípios analisados.
Do total de R$ 20,6 milhões recebidos, R$ 11,7 milhões correspondem a emendas coletivas, enquanto R$ 8,9 milhões vieram de emendas individuais.
O resultado coloca o município na liderança tanto no volume total de recursos quanto na comparação proporcional por habitante.
Apesar de ter recebido o menor volume absoluto entre as cinco cidades analisadas, Nova Odessa aparece na segunda colocação quando o cálculo é feito por habitante.
O município tem aproximadamente 64.900 moradores e recebeu R$ 3,6 milhões em emendas até julho. Dividido pela população, o montante representa R$ 55,46 por habitante.
Na sequência aparece Santa Bárbara d’Oeste, com R$ 7,6 milhões destinados ao município. Considerando uma população de aproximadamente 190 mil habitantes, o valor corresponde a R$ 40 por morador.
Americana aparece em quarto lugar, com R$ 6,2 milhões e R$ 24,96 por habitante, de acordo com os dados utilizados no levantamento.
A Prefeitura de Americana contestou parte dos valores apresentados no levantamento. Segundo a Secretaria de Gestão de Convênios, uma consulta ao Portal da Transparência da União aponta três repasses ao município, que somam R$ 5,82 milhões.
De acordo com a administração municipal, os recursos pagos entre janeiro e julho foram destinados a áreas como saúde, assistência social, segurança pública, meio ambiente e cultura.
A diferença entre os números reforça a necessidade de considerar a metodologia e a fonte utilizada para contabilizar os repasses federais.
Em Sumaré, a Prefeitura informou que a estratégia de captação de recursos não se concentra apenas nas emendas parlamentares. Segundo a administração, também são buscados convênios junto aos governos estadual e federal.
Entre os investimentos citados estão os R$ 10 milhões destinados pelo governo estadual à construção do Teatro Municipal e a construção da Policlínica, que está em andamento com recursos federais.
Para o cientista político e pesquisador de pós-doutorado do Laboratório de Economia e Gestão da Unicamp, Marcos Paulo Resende, a distribuição das emendas pode seguir uma lógica política, já que os parlamentares possuem margem para direcionar recursos.
Segundo o pesquisador, essa dinâmica pode envolver o chamado clientelismo, mas não seria o único fator responsável pelas diferenças observadas entre os municípios.
Cidades menores, por exemplo, podem apresentar valores maiores por habitante porque o montante recebido é dividido por uma população menor. Além disso, esses municípios geralmente possuem menos fontes próprias de financiamento.
O especialista também alerta que comparações entre cidades precisam levar em consideração diferenças de tamanho, necessidades e capacidade orçamentária.
A Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste atribuiu o volume de recursos recebidos à ausência de uma representação política em Brasília que, segundo a administração, esteja “efetivamente comprometida” com as demandas do município.
A Prefeitura também mencionou diferenças de alinhamento político com o governo federal, mas destacou que mantém investimentos utilizando recursos próprios e parcerias com o governo estadual.
As Prefeituras de Hortolândia e Nova Odessa foram procuradas para comentar os dados, mas não haviam respondido até a publicação do levantamento.
Considerando os dados apresentados no levantamento, o ranking proporcional das cinco cidades fica assim:
Os números mostram uma diferença significativa entre os municípios, mas especialistas ressaltam que o valor per capita não deve ser analisado isoladamente, já que fatores políticos, populacionais, orçamentários e administrativos também influenciam a captação e aplicação de recursos.