Recentemente eleito como o melhor da rede pública no país, o Hospital Estadual de Sumaré (HES) foi projetado para ser não apenas um centro de atendimento à população, mas também um importante espaço de formação acadêmica. Em seus 26 anos de funcionamento, estudantes e residentes das faculdades de Ciências Médicas (FCM) e Enfermagem (FEnf) da Unicamp passaram a integrar a rotina da instituição, ampliando suas oportunidades de aprendizado.
Durante a construção do hospital pelo Governo do Estado, a Universidade foi chamada para auxiliar na reorganização da rede local de saúde. Como parte desse processo, a Unicamp assumiu a gestão da nova unidade por meio de convênio com a Secretaria Estadual da Saúde. Recentemente, a gestão passou por mudanças administrativas. A Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp), que anteriormente atuava como interveniente administrativa, assumiu formalmente a administração da unidade na condição de Organização Social de Saúde (OSS).
Atualmente, cerca de 250 médicos residentes passam todos os anos pelo hospital, além de estudantes de graduação das faculdades já mencionadas. A parceria também fortalece a pesquisa científica, já que diferentes estudos estão em andamento no hospital, em áreas como ortopedia, segurança do paciente e qualidade assistencial, ampliando a produção de conhecimento.
Para o atual diretor-superintendente do HES, Antonio da Silva Bastos Neto, a parceria com a Unicamp permanece como um dos pilares da instituição. Segundo ele, a convivência de estudantes, residentes e pesquisadores com as equipes assistenciais fortalece a disseminação de padrões de qualidade e cria vínculos duradouros com o hospital. “Muitos profissionais que realizaram residência médica na unidade retornam posteriormente para integrar as equipes assistenciais, contribuindo para a continuidade da cultura organizacional baseada em qualidade, segurança e melhoria contínua”, afirma o diretor.
Ex-superintendente do Hospital, o médico e professor da FCM Maurício Perroud aponta que o reconhecimento nacional da unidade de Sumaré demonstra a capacidade da Unicamp de transferir conhecimento para além do campus. “O Hospital complementa a formação dos nossos alunos e residentes porque trabalha com casos mais comuns do dia a dia. Isso permite que o estudante tenha uma vivência muito próxima da realidade que encontrará quando estiver atuando profissionalmente”, avalia.
Ainda acordo com Perroud, o perfil assistencial da unidade preenche uma etapa fundamental da formação médica. Enquanto o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp concentra atendimentos de alta complexidade, o HES oferece aos estudantes contato com casos na faixa média, bem mais frequentes na rotina dos serviços públicos de saúde existentes no país.
Responsável pela Diretoria Executiva da Área da Saúde (Deas) da Unicamp, Luiz Carlos Zeferino confirma que a formação médica exige a passagem por todos os níveis da rede assistencial. “O Hospital Estadual de Sumaré ocupa uma posição fundamental nesse processo, porque oferece experiências que, muitas vezes, já não são encontradas em hospitais terciários, como determinados procedimentos cirúrgicos e um grande volume de atendimentos de média complexidade”, explica ele.
O diretor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, Cláudio Coy, reforça que o HES nasceu com a missão de integrar assistência e ensino. “Tudo isso em um ambiente de absoluta excelência”, ressalta.
A contribuição do HES para a formação profissional também se estende à enfermagem. A diretora da FEnf, Roberta Cunha Matheus Rodrigues, destaca que a vivência prática em diferentes níveis de complexidade fortalece a integração entre ensino, pesquisa e assistência. “Os alunos são supervisionados por docentes e profissionais de enfermagem que atuam com base em evidências científicas, fortalecendo essa integração. A parceria também impacta positivamente os profissionais, que passam por constante atualização e aperfeiçoamento das práticas”, comenta ela.
Na avaliação da gerente assistencial do hospital, Lílian Ferreira de Sousa Silva, enfermeira da instituição há 18 anos, a valorização da formação continuada é uma das marcas da cultura organizacional do HES. “Comecei aqui como técnica de enfermagem e, graças às parcerias da instituição, pude realizar duas pós-graduações. Esse investimento no aprimoramento profissional sempre fez parte da cultura do hospital”, conta.
A gerente destaca ainda que a instituição investe em práticas voltadas à humanização do cuidado. Como exemplo, cita a permanência de acompanhantes durante 24 horas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para pacientes adultos, iniciativa associada ao aumento da segurança assistencial e da satisfação das famílias. Outro diferencial apontado é a valorização dos colaboradores. Muitos profissionais construíram toda a carreira dentro da instituição, passando da assistência para cargos de liderança. “Isso mostra que o hospital oferece oportunidades reais de crescimento profissional”, aponta.
Prêmio
A mais recente conquista do HES foi o “Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil 2026”, promovido pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross). A premiação passou a considerar, além de indicadores técnicos e de gestão, critérios como satisfação dos usuários, eficiência hospitalar e compliance institucional. A unidade em Sumaré, referência para a Região Metropolitana de Campinas (RMC), destacou-se em critérios como qualidade assistencial, eficiência da gestão, segurança do paciente e satisfação dos usuários.
O diretor da instituição afirma que a conquista foi resultado do trabalho desenvolvido diariamente pelas equipes no local. “Esse reconhecimento simboliza o impacto positivo gerado na vida de milhares de pacientes e famílias que encontram no HES atendimento seguro, humanizado e de alta qualidade”, destacou Bastos Neto.
O levantamento avaliou inicialmente 5.279 hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país. Após a aplicação de critérios técnicos, foram selecionados os 100 melhores hospitais públicos brasileiros, dos quais saíram os dez primeiros colocados. Entre os indicadores analisados, também estiveram acreditação hospitalar, taxa de mortalidade ajustada, percentual de internações de alta complexidade, disponibilidade de leitos de UTI, taxa de ocupação e tempo médio de permanência dos pacientes.