Uma fala para explicar o que sente.
A outra escuta já pensando em como responder.
Uma tenta mostrar sua dor.
A outra se prepara para mostrar a sua.
E aquilo que poderia ser uma tentativa de aproximação transforma-se em uma disputa para decidir quem está certo. É assim que muitas conversas se tornam defensivas. Em vez de escutar para compreender, escutamos para nos defender. Em vez de perguntar, interpretamos.
Em vez de falar sobre o que sentimos, acusamos:
“Você nunca me escuta.”, “Você sempre faz isso.”, “Você não se importa comigo.”.
Talvez essas frases expressem uma dor verdadeira. Mas, quando chegam como acusações, é comum que o outro deixe de ouvir a dor e passe a ouvir apenas o ataque. E então se defende também.
A conversa continua, mas a conexão vai ficando para trás. Porque existe uma diferença entre falar o que sentimos e conseguir comunicar o que realmente precisamos. Às vezes, por trás de uma reclamação existe um pedido de atenção. Por trás da irritação, uma frustração. Por trás de uma cobrança, uma necessidade de segurança. E, muitas vezes, por trás de uma discussão existe um desejo simples:
“Eu quero sentir que você se importa com o que acontece comigo.”
Compreender não é dar razão.
Validar o sentimento do outro também não significa concordar com tudo ou assumir uma culpa que não é sua. Significa reconhecer que aquilo que o outro sente importa e merece ser escutado. Porque, em um relacionamento, nem toda conversa precisa terminar com alguém vencendo. Algumas precisam terminar com duas pessoas se sentindo mais compreendidas.
Em um relacionamento, ganhar uma discussão pode ser muito fácil. Difícil é não perder a conexão enquanto se tenta provar que está certo. Talvez, diante de um conflito, uma pergunta possa mudar o rumo da conversa:
“Eu quero que essa pessoa compreenda o que estou sentindo ou quero apenas provar que estou certo?”
A resposta pode dizer muito sobre a forma como estamos construindo ou desgastando nossos vínculos. Porque algumas relações não se afastam pela falta de conversa. Elas se afastam porque, quando conversam, ninguém mais se sente verdadeiramente ouvido. E quando as palavras deixam de aproximar, o silêncio pode parecer uma saída. Mas será que ele realmente resolve?
Na próxima semana, vamos olhar para esse silêncio: quando ele pode proteger uma relação, e quando começa, silenciosamente, a afastar duas pessoas.