28/09/2026 às 07h00min - Atualizada em 28/09/2026 às 07h00min

Quem não vota também comunica uma escolha

Existe uma regra básica na comunicação: quando você não comunica, alguém comunica por você. O silêncio também transmite uma mensagem.

Eduardo Rosa

Eduardo Rosa

Edu Rosa é apresentador, comunicador e empreendedor, criador do Top Rebouças e especialista em conteúdo, mídia e posicionamento.

Uma empresa que não responde ao cliente comunica alguma coisa. Um profissional que não apresenta seu trabalho permite que outros definam o valor daquilo que ele faz. E, na política, talvez isso seja ainda mais evidente. Por isso, às vésperas de mais uma eleição, vale uma pergunta incômoda: o que você está comunicando quando decide não participar?

No próximo domingo, milhões de brasileiros irão às urnas para escolher seus representantes. Outros tantos poderão não comparecer porque acreditam que “não adianta”, que “é tudo igual” ou que “um voto não faz diferença”. É importante deixar claro: a abstenção não transforma seu voto automaticamente em voto para outro candidato. Mas existe uma consequência simples: se você não participa, as escolhas de quem participou passam a ter mais peso na definição do resultado.

É curioso ver pessoas passarem anos reclamando de impostos, segurança, saúde, educação, economia, emprego e decisões dos governos e, quando chega o momento de participar da escolha de quem ocupará os cargos responsáveis por muitas dessas decisões, simplesmente desistirem. É como reclamar que uma empresa não escuta seus clientes e, quando ela abre um canal para ouvi-los, ninguém responde. Depois, quando o resultado não agrada, a reclamação volta.

Mas votar também não significa escolher no automático. Como comunicador, aprendi que informação sem contexto pode ser tão perigosa quanto informação falsa. Um vídeo de quinze segundos pode distorcer uma entrevista de uma hora. Uma frase pode ganhar outro significado quando retirada do contexto. Um número pode parecer excelente ou péssimo dependendo da comparação. Por isso, antes de votar, o cidadão deveria fazer o que qualquer bom comunicador faria antes de publicar uma informação: apurar.

Quem está falando? O que realmente foi dito? Qual é o contexto? Qual é o histórico? O que foi prometido e o que foi realizado? Qual é a responsabilidade daquele cargo? Essas perguntas são muito mais importantes do que simplesmente descobrir quem tem o melhor vídeo nas redes sociais.

E aqui está outro problema: transformamos política em torcida. Pessoas defendem candidatos como quem defende times de futebol. Se o seu lado erra, existe uma justificativa; se o outro lado erra, vira escândalo. Informação que confirma a própria opinião é compartilhada imediatamente. Aquilo que contraria a opinião é descartado. Isso não é comunicação responsável. É propaganda emocional.

Democracia não exige que você goste de candidato algum. Você pode estar decepcionado, desconfiar de todos, discordar das propostas ou até optar pelo voto branco ou nulo. O que não deveria acontecer é terceirizar a própria consciência para um influenciador, um grupo de WhatsApp, uma celebridade ou qualquer pessoa que fale mais alto. Escute todo mundo, mas decida por você.

No domingo, o eleitor escolherá representantes para diferentes funções. Isso significa que não existe apenas uma decisão sendo tomada. São escolhas diferentes, para cargos diferentes e com responsabilidades diferentes. Conhecer essas funções e pesquisar antes de votar é uma forma de exercer cidadania com responsabilidade.

Talvez essa seja a maior provocação desta coluna: você não precisa concordar comigo, não precisa gostar de política e não precisa concordar com nenhum candidato. Mas não terceirize a sua decisão. A política continuará acontecendo depois que você desligar o celular. As leis continuarão sendo discutidas, os impostos continuarão existindo e as políticas públicas continuarão afetando a vida de todos.

Na comunicação, existe uma frase que sempre fez sentido para mim: quem não ocupa o espaço, deixa o espaço para alguém ocupar.

Na política, talvez seja exatamente assim.

Você pode participar, pesquisar, questionar e decidir. Ou pode deixar que outros decidam e depois reclamar do resultado.

No fim, a urna registra números. Mas, antes disso, existe uma escolha muito mais importante:

participar ou deixar que outros comuniquem o futuro por você?

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