Artistas, apresentadores, influenciadores e outras personalidades conhecidas chegaram às urnas com enorme visibilidade, mas muitos não conseguiram transformar reconhecimento em votos. E, para quem trabalha com comunicação, isso revela uma mudança importante no comportamento do público.
Há anos digo que imagem abre portas, mas é o conteúdo que mantém alguém dentro da sala. Na política, não é diferente. Ter milhões de seguidores, aparecer na televisão ou ser conhecido pelo grande público pode gerar atenção, mas não necessariamente confiança.
O eleitor está mais conectado, pesquisa mais e consegue comparar discursos, propostas e históricos. A comunicação deixou de ser apenas exposição. Hoje, é preciso ter posicionamento, consistência e, principalmente, credibilidade.
Isso não significa que artistas ou influenciadores não possam ser bons políticos. Podem. A questão é que a profissão ou a fama anterior não substitui preparo e proposta.
Talvez essa seja uma das principais lições desta eleição: seguidores não são eleitores, curtidas não são aprovação e fama não é mandato.
Como profissional de comunicação, vejo esse movimento de forma positiva. Afinal, comunicação de verdade não é apenas fazer alguém aparecer. É construir autoridade, gerar confiança e entregar conteúdo que faça sentido para quem está do outro lado.
No fim, o eleitor parece estar aprendendo aquilo que o mercado já sabe: não basta parecer preparado. É preciso estar preparado.